quarta-feira, abril 21, 2010

Kit de Sobrevivência em Condições Extremas


Tens sede? Bebe bagaço.
Tens frio? Bebe bagaço.
Queres fazer fogo? O bagaço é inflamável.
Tens uma ferida? Desinfecta com bagaço.
Foste ameaçado por um animal selvagem? Bate-lhe com um garrafão de bagaço.
Não se foi embora? Dá-lhe bagaço até adormecer.
Comeste plantas venenosas? Bebe bagaço até vomitar.
E se estiveres perdido... Podes sempre culpar o bagaço.

sexta-feira, abril 16, 2010

Pasmem-se! - II

As Biobácas nasceram por causa da chuva.

domingo, abril 04, 2010

Pasmem-se!

Aparentemente, cantamos música microtonal...

segunda-feira, março 08, 2010

Das saudades de casa

Vou falar-lhes dum Reino Maravilhoso. Embora muitas pessoas digam que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade, e o coração, depois, não hesite. Ora, o que pretendo mostrar, meu e de todos os que queiram merecê-lo, não só existe, como é dos mais belos que se possam imaginar. Começa logo porque fica no cimo de Portugal, como os ninhos ficam no cimo das árvores para que a distância os torne mais impossíveis e apetecidos. E quem namora ninhos cá de baixo, se realmente é rapaz e não tem medo das alturas, depois de trepar e atingir a crista do sonho, contempla a própria bem-aventurança.
Vê-se primeiro um mar de pedras. Vagas e vagas sideradas, hirtas e hostis, contidas na sua força desmedida pela mão inexorável dum Deus criador e dominador. Tudo parado e mudo. Apenas se move e se faz ouvir o coração no peito, inquieto, a anunciar o começo duma grande hora. De repente, rasga a crosta do silêncio uma voz de franqueza desembainhada:
- Para cá do Marão, mandam os que cá estão!...
Sente-se um calafrio. A vista alarga-se de ânsia e de assombro. Que penedo falou? Que terror respeitoso se apodera de nós?
Mas de nada vale interrogar o grande oceano megalítico, porque o nume invisível ordena:
- Entre!
A gente entra, e já está no Reino Maravilhoso.
A autoridade emana da força interior que cada qual traz do berço. Dum berço que oficialmente vai de Vila Real a Chaves, de Chaves a Bragança, de Bragança a Miranda, de Miranda a Régua.
Um mundo! Um nunca acabar de terra grossa, fragosa, bravia, que tanto se levanta a pino num ímpeto de subir ao céu, como se afunda nuns abismos de angústia, não se sabe por que telúrica contrição.
Terra-Quente e Terra-Fria. Léguas e léguas de chão raivoso, contorcido, queimado por um sol de fogo ou por um frio de neve. Serras sobrepostas a serras. Montanhas paralelas a montanhas. Nos intervalos, apertados entre os rios de água cristalina, cantantes, a matar a sede de tanta angústia. E de quando em quando, oásis da inquietação que fez tais rugas geológicas, um vale imenso, dum húmus puro, onde a vista descansa da agressão das penedias. Mas novamente o granito protesta. Novamente nos acorda para a força medular de tudo. E são outra vez serras, até perder de vista.
Não se vê por que maneira este solo é capaz de dar pão e vinho. Mas dá. Nas margens de um rio de oiro, crucificado entre o calor do céu que de cima o bebe e a sede do leito que de baixo o seca, erguem-se os muros do milagre. Em íngremes socalcos, varandins que nenhum palácio aveza, crescem as cepas como os manjericos às janelas. No Setembro, os homens deixam as eiras da Terra-Fria e descem, em rogas, a escadaria do lagar de xisto. Cantam, dançam e trabalham. Depois sobem. E daí a pouco há sol engarrafado a embebedar os quatro cantos do mundo.
A terra é a própria generosidade ao natural. Como num paraíso, basta estender a mão.
Bata-se a uma porta, rica ou pobre, e sempre a mesma voz confiada nos responde:
- Entre quem é! Sem ninguém perguntar mais nada, sem ninguém vir à janela espreitar, escancara-se a intimidade duma família inteira. O que é preciso agora é merecer a magnificência da dádiva.
Nos códigos e no catecismo o pecado de orgulho é dos piores. Talvez que os códigos e o catecismo tenham razão. Resta saber se haverá coisa mais bela nesta vida do que o puro dom de se olhar um estranho como se ele fosse um irmão bem-vindo, embora o preço da desilusão seja às vezes uma facada.
Dentro ou fora do seu dólmen (maneira que eu tenho de chamar aos buracos onde vive a maioria) estes homens não têm medo senão da pequenez. Medo de ficarem aquém do estalão por onde, desde que o mundo é mundo, se mede à hora da morte o tamanho de uma criatura.
Acossados pela necessidade e pelo amor da aventura emigram. Metem toda a quimera numa saca de retalhos, e lá vão eles. Os que ficam, cavam a vida inteira. E, quando se cansam, deitam-se no caixão com a serenidade de quem chega honradamente ao fim dum longo e trabalhoso dia.
O nome de Trasmontano, que quer dizer filho de Trás-os-Montes, pois assim se chama o Reino Maravilhoso de que vos falei.

Miguel Torga

domingo, fevereiro 14, 2010

Das Advertências

"Fica sabendo, minha menina, que se eu for a essa-coisa-das-Fitas, tens de comprar uns sapatos e mandar limpar o traje."

Uma mãe envergonhada

E ainda falta tanto para a queima...

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Do passado e do futuro

Um dia chegaram aqui
Cada uma por si
Abrindo os braços a quem viesse
Ignorando os desenganos que viriam

Era desamparo, afinal
E encontraram abrigo em algo estranho
Uma família nova, uma forma de estar

Encenação? Grupo restrito?
Não. Somente uma forma de evitar a insanidade

Com a vida toda pela frente, os anos passaram...
Envelheceram todas as coisas
Mudou a vida, mudaram elas

E já não há vida toda pela frente...
Há o que já foi, há o que virá
Como será?
Cada uma por si outra vez?

Não ficarão para sempre juntas
Mas nunca deixarão de ser o que construíram
O que viveram aqui nunca vai acabar...

terça-feira, janeiro 26, 2010

A tragédia

A sua história começou numa noite fatídica, quando foi adquirida para a realização de uma das mais mirabolantes tarefas alguma vez incumbida a este respeitável grupo. A primeira tragédia deu-se nessa mesma noite, quando o seu par foi sabiamente utilizado para embeber algumas das almofadas de gordura mais presáveis deste curral. Assim, Ela ficou sozinha, a deambular juntamente com uma folha de palmeira nos subúrbios de um sofá... Porém, um dia, a figura maternal descobre a Sua triste vida e É-lhe dado um lugar de destaque, como que observando toda a vida de um pequeno apartamento. A glória foi de pouca dura, pois a verdadeira tragédia estaria para vir... Com isto vos quero dizer que Ela morreu...

O recipiente com um conteúdo líquido de consistência gordurosa passou de prazo no passado dia 1 de Janeiro do presente ano... Sem lhe ter sido dada qualquer utilidade...

E assim se instala o luto caros leitores!

sábado, dezembro 26, 2009

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Das noites

Já bebi a minha conta
E a taberna está a fechar
Vinguei-me hoje da afronta
Que o mundo me faz passar
Passam-se os anos na pele
Numa azia sem sentido
E a gente acumula o fel
Do tempo mal diferido

Um copo contra a carestia
Um copo contra a incerteza
E mais um copo à ousadia
De querer vencer a fraqueza

Um café e um bagaço

Um copo contra o sistema
Um copo contra a inflação
Um copo contra a gangrena
Que nos dói o coração

Um café e um bagaço
Só para assentar a bebida
Quero ver tudo bem baço
Só assim acho saída
Agora estou como o aço
Vou começar a plissar
Um soluço e um abraço
E a vontade de cantar

PS. Cumprimentos do Sô Rainho a toda a gente, e votos de um regresso breve. Sem, no entanto, a garantia de devolução dos bens perdidos na batalha.

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Do Natal

















Um grande bem haja a todas as renas e cervídeos que trazem alegria ao nosso Natal!

domingo, dezembro 20, 2009

Das grandes frases - XI

"Ratazanas são as pessoas mais velhas que só têm ruindade!"

Senhor do gatinho, com um ar ultrajado, numa nítida provocação dirigida à Senhora do 77

terça-feira, dezembro 15, 2009

IV Jantar de Natal

No dia 17 do presente mês realizar-se-á no magnífico pasto do grandioso Sr. Melo o IV Jantar Oficial de Natal das Ressabiadas Biobácas de Biomédicas - Malte.
Venho por este meio lembrar que, tendo em conta o grande consumismo a que esta época nos remete, cada Báca deverá vir acompanhada de um qualquer regalo de maior ou menor inutilidade (binho é sempre bem vindo) no módico valor de 3 euros para presentear uma outra biobáca.
Ressabiadamente:
Tarminha

quinta-feira, dezembro 10, 2009

(In) Utilidades - O regresso

Aprendam com quem sabe... Ou sabia... Sabe-se lá. Também não interessa. Desfrutem.




















segunda-feira, dezembro 07, 2009

sexta-feira, novembro 27, 2009

As noites que nos lembramos II

Esta noite ficará doravente conhecida como, entre outras coisas, "Aquela em que comemos um belo naco de presunto à dentada na festa do orfeão"

quinta-feira, novembro 12, 2009

Comunicado

Venho por este meio informar a comunidade leitora deste antro curralesco que, recentemente, as Biobácas de Biomédicas - Malte tomaram posse de um documento de valor incalculável, que pode ser útil e trazer momentos de felicidade pura a muito boa gente por aí. Vê-mo-nos obrigadas, por motivos de força maior, a ocultar o cariz do referido documento, mas não podíamos deixar de colocar a oportunidade de ele poder ser adquirido por alguém que lhe possa dar uso.
Assim, deixo aberto o leilão desta preciosidade, devendo as licitações consistir em castanhas assadas e vinho tinto, em homenagem ao dia de hoje!

sexta-feira, outubro 30, 2009

Das Grandes Frases Parte X

"Ao álcool, a causa e solução de todos os problemas da nossa vida!"
by Homer Simpson

segunda-feira, outubro 26, 2009

Das cabras e outros cavicórneos

Antes de mais, tenho a dizer que escrever uma carta aberta é um acto de puro desconhecimento e, até quem sabe, certa ignorância. Ora, é do conhecimento comum que as cartas devem chegar fechadas, conforme o grau de importância, lacradas, e devem apenas ser abertas pelo respectivo remetente. Neste sentido, e deixando de lado a inocência que sei não ser vossa qualidade, interpreto uma carta aberta de dois possíveis prismas - ou é algo completamente supérfluo e insignificante a que qualquer um tem gratuito e fortuito acesso ou é algo tão vil e lascivo que não deve ser do conhecimento de ninguém.

Passando ao que importa e interessa, nada de relevante tenho a dizer das vossas desculpas esfarrapadas, perdão argumentos, para justificar um acto de tamanha crueldade. Se de facto a colher estava danificada e não passou de artimanha nossa proporcionar que fossem vossas excelências a sugar-lhe o suspiro final, lamentamos que tenham sido abestalhados o suficiente para se deixarem levar por tão banal tramóia. Temos pena.

Por último mas não menos importante, afirmo aqui que toda e qualquer cabra disposta a renegar a sua origem e render-se aos encantos dos ruminantes superiores será muito bem vinda no nosso meio. E atrás de nós também. À frente é que nunca.

Ressabiadamene, tenho dito.

sábado, outubro 24, 2009

Das ébrias conversas a desoras - IV

"Tanto tempo a decidir o que queremos, que nos esquecemos do que precisamos."

Um bem haja aos copos de vinho, ao fumo de cigarro que paira e às ébrias conversas a desoras.